Carreira da Carris 798 e 796

Relato dos percursos das carreiras da Carris “798″ e “796”

Num Sábado nebulado, 5 de Julho de 2014 às 09h00, 5 participantes percorreram, a correr, os décimo terceiro e décimo quarto percursos do “corredor do BUS”, os das carreiras da Carris “798″ e “796”. Estas carreira, com cerca de 14.000 metros no seu conjunto, ligam o Campo Grande às Galinheiras, e volta, e foram percorridas no sentido ascendente (798) e descendente (796).

Antes

Cheguei como sempre, cedo. Fui o primeiro mas por pouco tempo. As nuvens (poucas) deixavam adivinhar que a manhã ia ser amena. Na estação de Metro do Campo Grande, observo “O beijo” e divirto-me com um “Rochemon”, depois de ter dado uma volta pela (dimunuta) galeria comercial da estação.

Os restantes quatro participantes, chegaram antes da hora prevista e, dada a folga inicial para o início da primeira carreira, e depois de (finalmente) conseguir captar o sinal GPS, avançámos. Nesta sessão, as carreiras seriam duas, Carris 798 no sentido ascendente (Campo Grande até às Galinheiras) e a Carris 796 (Galinheiras até ao Campo Grande) no sentido descendente.

Utilizando pela primeira vez um GPS para seguir a totalidade de uma carreira, sem a devida preparação habitual fez com que, a primeira carreira não corresse conforme o esperado, e a volta tenha sido diferente, facto pelo qual terei de repetir esse percurso em breve.

Durante

Saímos então da estação do Campo Grande pela Alameda das Linhas de Torres. Em vez de virarmos à direita na Quinta das Conchas, tudo devido a erro do condutor, seguimos em frente em direcção ao Mercado do Lumiar. Comecei a suspeitar de que o percurso não seria por ali, do que tinha visto antes e, não era mesmo. Voltados para trás, apanhámos a Estrada da Torre em direcção à Alta de Lisboa, antiga Musgueira.

Aí, o contraste começa a aparecer. Saídos da “zona nobre do Lumiar” e entrando na Alta de Lisboa, zona que foi renovada há uns anos atrás mas, com os mesmos moradores, faz-se sentir uma degradação latente e uma tensão social entre as pessoas que estão na rua e nos observam com curiosidade. Poucos são os que nos incentivam, e o silêncio é tenso.

Chegados à zona da Charneca do Lumiar, zona que faz parte da minha infância e juventude, o contraste acentua-se. Pese embora o Campo das Amoreiras tenha sido arranjado, e já não seja o terreno baldio que atravessava na escola primária para ir para casa, (quase) todos os edifícios à volta, já deram o que tinham a dar. Abandonados e descascados, entre quinta e cinemas, quase todos perderam a grandeza do antigamente.

Já nas Galinheiras, zona que tenho visitado anualmente, o panorama é o esperado. Casas pequenas e baixas, eco de um passado não muito distante onde a construção despreocupada e ilegal era reinante, bem como o lixo acumulado entre viaturas e passeios.

Chegado ao fim o percurso (errado) da carreira da Carris “798”, seguimos então o percurso (agora certo) da carreira da Carris “796”. Voltando ao Campo Grande “pelo outro lado”, o que incluia a Estrada Militar e a Estrada do desvio, nessa zona a “modernização” da Alta de Lisboa não chegou. Embora se vejam, ao longe, alguns prédios mais recentes, os mais antigos mostram sinais de degradação semelhantes aos encontrados num qualquer país dos Balcãs, que tenha sofrido uma Guerra Civil há alguns anos. As marcas de vandalismo são por demais evidentes e a luz até brilha de outra forma, menos forte, ali.

Poderá dizer-te que as pessoas ali não têm as mesmas oportunidades nem o mesmo poder económico de que no Lumiar mas, o que dá a parecer também é que não têm o mesmo amor próprio, e que relaxam e deixam degradar o sítio onde vivem de uma forma que por vezes fica para lá da recuperação. E não é impossível, a recuperação, pois pelo meio encontra-se um ou outro oásis florido.

Depois

Na chegada de novo ao Campo Grande, fotografia de grupo e a conversa da despedida. Embora a primeira parte do percurso não tenha corrido de feição, a segunda parte salvou a manhã, especialmente pela “paisagem” vista nesse percurso, diferente do que os presentes habitualmente vivem e convivem.

Depois disso, fomos todos embora, uns a pé pois moravam perto, e outros de carro, a conduzir ou à boleia, como foi o meu caso, com o André.

Galeria de imagens

Fotografias do “corredor do BUS”.